quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Corrida de rua

Vida corrida

Atleta destaque do atletismo jundiaiense começou a correr profissionalmente com 44 anos e desde então coleciona troféus na prateleira de casa


Agência BOM DIA

Aos 48 anos, a corredora Maria do Carmo Viana dos Santos é a principal atleta da equipe Papaléguas, que representa o atletismo de Jundiaí.

Maria via todos os anos a São Silvestre na televisão, tinha vontade de correr mas nunca teve coragem de colocar o pé na rua, até que viu, em 1989, pela TV, uma vizinha correndo a principal prova de rua do Brasil. “Aí pensei que se ela podia, eu também”. Depois disso, Maria matriculou-se em uma academia e começou a participar de corridas de rua.

A atleta levava as corridas como um hobby até que, em 2005, conheceu o PEAMA (Programa de Esportes e Atividades Motoras Adaptadas) e foi convidada para ser guia de deficientes visuais em provas de rua. E, em 2007, ela conheceu Robson Maian que a convidou para integrar a Papaléguas. “Até conhecer o Robson eu tinha quatro troféus, hoje devo ter mais de 80”, orgulha-se.

Logo a primeira prova que competiu, uma etapa do campeonato de Masters de atletismo, já chegou em primeiro lugar. “Não me lembro o nome da prova, mas foi aqui na cidade mesmo e já ganhei”.

Depois de sentir o gostinho do pódio, Maria do Carmo nunca mais saiu dele. No último fim de semana ela colocou mais um troféu na prateleira, da etapa de Riviera do Circuito de Praias de Corridas de Rua. Ficou em 1º lugar na categoria entre 45 e 49 anos e em quarto lugar geral, na qual compete com corredores a partir de 18 anos. Nas três etapas anteriores do Circuito de Corridas de Praia, Maria do Carmo teve o mesmo resultado, tanto individual quanto geral. “Treino muito para conseguir esse desempenho”, diz a atleta que cumpre três turnos no dia: o de atleta, dona de casa e encarregada de inspeção em uma indústria de Jundiaí.

Rotina puxada /Maria do Carmo é solteira e mora com uma irmã e com a mãe, que está com mal de alzheimer. Para cuidar da mãe, a atleta trabalha à noite, das 22h às 6h, e logo que acaba o expediente segue para o Bolão para cumprir duas horas diárias de treinamento. Só depois do treino, que acaba por volta das 10h, ela vai dormir. À tarde e parte da noite, cuida da mãe antes de ir trabalhar.

“É uma correria, literalmente, mas dá para conciliar tudo”, diz a atleta que é especialista em provas de 10 km.

Apesar disso, em 2009, Maria realizou o sonho de subir ao pódio da São Silvestre, prova de 15 km. Ela chegou em quinto lugar na categoria de 45-49 anos. “É uma emoção indescritível que eu senti”, diz.

Papaléguas está perto do título
Para o coordenador da equipe Papaléguas, Robson Maian, só um “acidente de percurso tira o título das meninas de Jundiaí”, que ficaram com o 1º lugar geral por equipes nas quatro etapas do Circuito das Praias de Corridas de Rua e têm 120 pontos. Guarujá está em segundo com 84 pontos. Robson aponta a qualidade das 16 atletas de sua equipe. “Guarujá, por exemplo, leva vantagem pois está acostumado com a topografia do litoral. Nós não, Jundiaí tem muito relevo. Mas elas treinam bastante e tiram fácil essa diferença”, analisa.

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